sexta-feira, 17 de julho de 2015

Alan Rickman é o "Rei Sol" em "Um Pouco de Caos"


Ainda que tente mostrar todo o fascínio de uma época muito particular, em que a nobreza francesa viveu literalmente no topo do mundo, entre as luxuosas paredes cobertas de ouro e espelhos, toda a trama de "Um Pouco de Caos", embora contenha alguns personagens reais, como o próprio "Rei Sol", é ficcional e a história real da construção do Palácio de Versalhes, e de seu incrível salão de baile ao ar livre, ficou bem longe da poesia e do romance que o roteiro tenta imprimir.

Por sinal, o ambiente palaciano passaria para a história como um verdadeiro covil de cobras, lutando todo o tempo pela atenção de um monarca insanamente vaidoso.

De qualquer forma, no filme, em 1682, o palácio já está quase pronto, mas prestes a mudar-se com todo o seu séquito de 2000 nobres da pestilenta cidade de Paris, o Rei Luis XIV (Alan Rickman) ordena que os jardins ao redor do palácio devem refletir toda a opulência dos interiores do palácio.

Encomendando o projeto dos jardins a André Le Notre (Matthias Schoenaerts), um dos nobres que convive dentro do palácio, graças a sua ambiciosa esposa (Helen McCrory), sempre envolvida nas tramas palacianas, em busca de um lugar ao sol, sob os bons auspícios reais.

Para ajudar no projeto, André contrata Sabine De Barra (Kate Winslet), uma profissional a frente de seu tempo, com um grande talento e que acredita que não existe perfeição sem pelo menos o "pouco de caos", do título do filme.

Apaixonada por seu trabalho, a Sabine de Kate Winslet parece uma daquelas personagens tão fascinantes que é mesmo uma pena ela nunca ter existido.

O envolvimento dos dois é cada vez maior, enquanto tudo ao redor parece sempre prestes a fervilhar.

O Luis XIV de Alan Rickman ilumina a tela em suas cenas, mas o resultado final de seu filme, ainda deixa um pouco a desejar. Embora simpático, o romance de época não é suficientemente forte para deixar de apenas ser uma diversão rápida.

E já que falei em diversão, vale ir ao cinema apenas para ver Stanley Tucci que está imperdível como o Duque d'Orleans, o afetado irmão do rei.

Assista ao trailer de "Um Pouco de Caos":  

domingo, 28 de junho de 2015

Al Pacino vive rockstar decadente em "Não Olhe para Trás"

O roteirista e produtor Dan Fogelman escolheu uma história baseada livremente em fatos reais para sua estreia na direção.

Danny Collins (Al Pacino) é um artista que fez muito sucesso na década de 70 e continua trabalhando, fazendo turnês para um público saudosista e vendendo discos de grandes hits que geram lucro suficiente para bancar uma vida de luxo e excentricidade.

Tudo vai muito bem, até que seu empresário Frank Grubman (Christopher Plummer) o presenteia com algo que muda completamente sua vida; uma carta enviada a ele por John Lennon nos anos 70, que tinha ficado por 40 anos nas mãos de colecionadores e que pela primeira vez chegava a seu destino.

A carta faz com que Danny questione sua vida e o rockstar decide partir para um recomeço, voltando a compor e procurando pelo filho, vivido por Bobby Cannavale, que tinha ignorado durante toda a sua vida.

Neste novo recomeço, ele aprende que o dinheiro não é tudo e passa a conhecer pessoas que se tornam importantes em sua vida, como a gerente de hotel Mary (Anette Benning), que se transforma em sua amiga e confidente.

Al Pacino como sempre, dá uma aula de interpretação no papel do rockstar que nunca está disposto a levar nada a serio e parece sempre a ponto de sair atirando o próprio dinheiro pelas ruas, como se este gesto servisse para redimir alguém de suas muitas falhas.

A trilha sonora com músicas de John Lennon são mais um atrativo para este filme despretensioso, com diálogos divertidos, que tinha tudo para cair no melodrama, mas que dá preferência ao bom humor.

Não deixe de ver os créditos finais do filme, que mostram Steve Tilston, o personagem real em que se baseou o roteiro do filme. Tilston era um cantor britânico, de música folk, que esperou por 34 anos para ler uma carta enviada a ele por John Lennon e Yoko Ono.

Confira o trailer de "Não Olhe pra Trás": 


quinta-feira, 21 de maio de 2015

Miss Julie - O Inferno é o outro

Um fantástico texto teatral clássico do autor sueco August Strindberg, escrito em 1888, é a base deste filme que teve seu roteiro adaptado e foi dirigido pela atriz Liv Ulman.

A Miss Julie do título é a filha de um barão (Jessica Chastain) está isolada em um castelo na Irlanda acompanhada por dois empregados, John, o valete de seu pai (Colin Farrell) e Kathleen (Samantha Morton), a cozinheira e noiva de John.

Sem muito o que fazer em sua vida protegida por sua situação social, mas também sentindo-se enclausurada, Miss Julie deseja participar de uma festa popular que acontece durante a "Midsummer's Night". O dia mais longo do ano, que acontece por volta do dia 24 de junho, na Europa, em que as pessoas dançam nas ruas festejando e dançando ao redor de fogueiras.

Sentindo-se atraída por John, Miss Julie deseja dançar com ele durante as festividades, mas é desencorajada pelos dois empregados, que temem pela segurança da jovem aristocrata e não permitem que ela deixe o castelo.

Ela então decide provocá-lo, mas como desconhece qualquer limite, aproveita-se de sua condição social privilegiada e passa a torturar os dois empregados, com resultados cada vez mais inquietantes e perigosos.

Como diretora, a favorita de Bergman constrói o horror de uma situação claustrofóbica que envolve repressão sexual, guerra de classes, abismos sociais, mas mostra tudo isso com um texto literário acima da média, fazendo com que o público, além de sentir toda a aflição de situações cada vez mais degradantes, ainda tenha o prazer de acompanhar um texto literário bem acima da média do que se costuma encontrar nas salas de cinema.

O trabalho dos atores é sensível, em um texto difícil, cheio de armadilhas em que poderiam escorregar facilmente em qualquer excesso interpretativo, os três se mostram no controle de seus personagens.

Oprimidos e opressores têm cada um seu momento de mostrarem-se humanos e frágeis; mas seu relacionamento se mostra impossivelmente destrutivo. O filme tem muitas camadas a serem consideradas e discutidas e impressiona ao colocar na tela nenhum dos truques gráficos a que estamos acostumados nos últimos anos, mas apenas o ser humano em toda a sua capacidade para ferir e destruir seus semelhantes. 

Assista ao trailer de Miss Julie: