domingo, 12 de maio de 2013

Cinebiografia de Renato Russo chega às telas

Chega aos cinemas "Somos tão Jovens", uma cinebiografia de Renato Russo, o bandleader da Legião Urbana, que de seu próprio jeito, tornou-se um dos principais nomes de toda a cena de rock brasileiro que surgiu a partir da década de 80.

Dirigido por Antonio Carlos Fontoura, o filme escolhe focar-se em um período particular da vida do astro, sem aprofundar-se muito nem nos dramas, nem nas razões do personagem, concentrando-se mais nos anos de sua formação musical e destacando sua participação em todo o cenário punk e rock de Brasília mostrando quase que por tabela bandas como Aborto Elétrico, Plebe Rude, Capital Inicial e Paralamas do Sucesso.

Para funcionar,  o Renato Russo de "Somos tão Jovens", um brilhante trabalho de ator de Thiago Mendonça (Os Dois Filhos de Francisco), precisa que o público dos cinemas o identifiquem, assim, tom de voz, gestual e até frases pinçadas das letras de músicas da Legião aparecem aqui e ali, chegando a provocar risos da plateia e tentando fazer passar uma teoria um pouco superficial e rasteira de predestinação.

O lado ruim é que para possibilitar essa identificação de alguns personagens que continuam por aí, no cenário musical brasileiro, confundiram interpretação com imitação de tom de voz e trejeitos e a passagem de alguns deles pela tela, chega a ser embaraçosa e involuntariamente cômica.

Quanto ao Renato Russo, sim, ele chegaria longe... em algum momento perdido, lá entre as décadas de 80 e 90, Renato Russo atingiu o status de lenda e transcendeu as barreiras sempre bem marcadas entre astro do rock nacional e porta-voz da juventude brasileira. Mas em "Somos Tão Jovens" não chegamos a acompanhar este momento.

O Renato Manfredini Jr do filme ainda é um adolescente, vive com os pais e está se descobrindo, depois de perder seis meses de sua vida preso entre a cama e uma cadeira de rodas por uma grave doença nos ossos.
Sem outras possibilidades de diversão, o jovem Renato lê muito e ouve música e estas duas coisas permitem que comece a entender o que quer para seu futuro, fortalecendo-o, para que mais tarde, tome decisões radicais como a de deixar de dar aulas de inglês, para investir em uma carreira na música, prometendo até, para contentar seus pais, fazer a faculdade de Relações Exteriores, no caso de tudo dar errado.

Todos sabem que ele não chega nem perto do Itamaraty; longe disso, Renato Russo tornou-se acima de tudo um poeta talentoso que sabia como ninguém apontar as mazelas deste país e anseios de sua geração com canções que expressavam toda a revolta de uma juventude ainda às voltas com coisas como a repressão e a censura, já nos últimos suspiros de uma ditadura sanguinaria de triste lembrança.

A fotografia de Alexandre Ermel feita em tons quentes e com uma câmera, que acompanha muito de perto a ação, consegue captar o clima das muitas apresentações de Renato nas reminiscências de sua trajetória. Enquanto os inúmeros musicais servem como uma ponte para os muito fãs de hoje buscarem algum ponto de identificação naquele cenário tão distante da realidade de hoje, livre das facilidades da tecnologia e ainda assim tão rico de poesia e possibilidades.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

O lado bom (e muito maluco) da vida

Uma comédia romântica que busca afastar-se com todas as suas forças de todo e qualquer clichê do gênero mais batido de Hollywood; assim é "O Lado Bom da Vida".
O diretor David O. Russell ("O Lutador") mais uma vez opta pelo que é inesperado e fora dos padrões para tentar mostrar a sua visão particular de mundo.

Baseado no livro homônimo de Matthew Quick, adaptado pelo próprio diretor, o filme conta a história de Pat Solitano Jr (Bradley Cooper), um professor que está voltando para a casa de seus pais, depois de uma longa temporada em um hospital psiquiátrico. Um retorno que, tudo indica, é ainda prematuro.

Obcecado pela ex-esposa, ele passa a fazer tudo o que pode apenas esperando o momento de reatar com ela, no entanto ela não está só ausente de sua vida, como ainda tem uma ordem de restrição contra ele, que o proíbe de aproximar-se.

Não acontecem grandes flashbacks explicativos, mas aos poucos o público vai descobrindo como ele acabou internado e também conhecendo melhor o resto da família; Pat Solitano (Robert de Niro), o pai, é um bookmaker tão cheio de manias, que possivelmente tem TOC (Transtorno Obssessivo-Compulsivo), fanático por seu time de futebol americano, ele faz apostas malucas, perde dinheiro e depois põe a culpa em coisas como alguém estar usando a camisa errada perto dele, ou sentar-se no lugar errado no momento do jogo.

Ainda na esperança de reatar seu casamento, Pat Jr conhece Tiffany (Jennifer Lawrence), uma jovem viúva, que também enfrenta problemas psicológicos sérios, mas que consegue ver nele alguma coisa além de seus inúmeros problemas.

A trilha sonora merece um destaque especial, melhorando diversos momentos do filme com canções irresistíveis.

Divertido, "O Lado Bom da Vida" é antes de tudo um excepcional trabalho de atores, não é a toa que quatro, dos oito Oscars a que concorre, são nas categorias que premiam atores, Bradley Cooper e Jennifer Lawrence, concorrem como protagonistas; enquanto Robert de Niro e a excelente Jacki Weaver, que faz o papel de mãe de Pat Jr, estão nas listas de coadjuvantes.
Aliás, Jennifer Lawrence já recebeu um Globo de Ouro por sua performance e é considerada uma das favoritas na disputa do Oscar de melhor atriz deste ano.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Lincoln chega hoje aos cinemas brasileiros



O novo filme de Steven Spielberg é o resultado de uma longa batalha pessoal do diretor, que dedicou nada menos do que os últimos nove anos de trabalho, para levar às telas uma história mais detalhada dos últimos meses de vida de um dos presidentes mais populares da história dos EUA.

Abraham Lincoln foi um lider importantíssimo, que como presidente enfrentou o pior momento da história americana durante a sangrenta Guerra da Secessão, que se arrastou por anos, colocando os estados do sul contra os do norte, destruindo a economia do país e dizimando sua população, mas ele não fazia o tipo heróico, por isso, não dá para esperar vê-lo sobre um cavalo, liderando soldados em um campo de batalha, banhado pela luz rosada do amanhecer.

O campo de batalha de Lincoln era outro, exibindo aquele mesmo ar cansado que testemunhamos hoje em dia na expressão de Barack Obama e como este, assumindo seu segundo mandato, o presidente quer apenas terminar com aquela guerra e tem certeza que sua melhor chance de êxito será conseguindo que o congresso aprove a emenda na constituição que determina o fim do trabalho escravo; mola mestra da economia e do modo de vida dos estados confederados, que sem ele, não terão mais qualquer chance contra a união.

Por isso, o filme é uma longa sucessão de diálogos, conchavos, discursos e embates íntimos entre um frágil, mas sagaz presidente e o resto do mundo que o cercava, todos mais ou menos dispostos a ajudá-lo em seu empenho para terminar de vez aquela guerra.

O roteiro foi adaptado por Tony Kushner, que já trabalhou com Spielberg em Munique (2005), a partir do livro "Team of Rivals" de Doris Kearns Goodwin. A ideia da autora era exatamente a de mostrar a inteligência política do presidente para lidar com seus rivais e opositores.

Tecnicamente impecável, Lincoln tem no trabalho dos atores o seu maior trunfo; Daniel Day-Lewis encara sua árdua tarefa com heroismo, não há espaço aqui para longos discursos inflamados para enormes multidões aplaudindo apaixonadamente. O Lincol de Day-Lewis é um homem frágil, cansado, um pouco desajeitado e absolutamente humano.

Como era de se esperar, as melhores cenas de Lincoln acontecem entre quatro paredes, quando o talento de Daniel Day-Lewis bate de frente com o talento de Sally Field, outra impressionante atriz veterana que, no papel de Mary Todd, a esposa do presidente, faz suas duas ou três aparições durante o filme valerem cada segundo.

Outro veterano, Tommy Lee Jones dá um banho de interpretação, como Thaddeus Stevens, um lider político abolicionista que se torna um dos mais importantes agentes de Lincoln dentro do congresso.
Mas não espere muita coisa dentro do estilo Spielberg de ser, não há muito espaço para aquelas longos momentos contemplativos, de grande força melodramática amplificados pelo volume da música que vai subindo, enquanto o plano se abre para mostrar toda a cena, na verdade isso se vê em apenas uma ou duas ocasiões durante todo o filme.

Outro detalhe que chama bastante atenção é que o presidente e seus partidários não têm qualquer pudor em oferecer aos congressistas da oposição dinheiro e vantagens para que aprovem a lei. Engraçado que ali, não vi ninguém, nem do governo, nem da oposição apontando o dedinho torto para dizer que era o fim do mundo... modernos esses americanos...

Lincoln tem 12 indicações ao Oscar e é considerado um dos maiores favoritos da disputa, embora, no Globo de Ouro, só o trabalho de Daniel Day-Lewis tenha sido premiado.