O filme que encerra a trilogia romântica do projeto conjunto entre o diretor Richard Linklater e os atores Julie Delpy e Ethan Hawke mostra, 18 anos mais tarde, o casal que o acaso formou, em uma viagem de trem, na Áustria, em 1995.
Nos três filmes, "Antes do Amanhecer" (1995), "Antes do Pôr do Sol" (2004) e "Antes da Meia-Noite" (2013) não acontece muita coisa, a ideia era a de fugir dos padrões que são considerados os rotineiros para filmes românticos, o casal se conhece, se apaixona, enfrenta todas as dificuldades para ficar junto e, no final, o público deixa o cinema imaginando que o destino e o poder do amor mudou completamente os dois destinos e criou um novo relacionamento perfeito, para sempre...
Bem... se é esse o tipo de roteiro que você vê como ideal em um filme romântico, fuja dos três filmes de Linklater. De toda a "coleção premiada" do quase sempre muito previsível cinema romântico, a única coisa que a trilogia de Linklater reproduz é o cenário, lindo e paradisíaco, por onde os personagens vivem seus dramas e falam sobre eles, falam muito, em um texto longo que parece pertencer muito mais à tradição literária, mas que visto no cinema, ajuda muito a aumentar a dimensão humana do que está se vendo.
Aliás os diálogos são muito especiais, quando acontecem entre o casal de atores, que por sinal colaboraram em sua redação; mas aqui também no núcleo de amigos de Jesse (Ethan Hawke). Um autor já consagrado, fez a fama com dois livros que descreviam seu encontro e relacionamento com Céline (Julie Delpy) e é convidado por um escritor grego para umas férias nas ilhas gregas, para onde leva Céline, Hank (Seamus Davey-Fitzpatrick), seu filho do primeiro casamento e as duas filhas gêmeas do casal.
Durante as férias, o casal entra em crise, por causa da vontade de Jesse de reaproximar-se com seu filho mais velho e grande parte das discussões do filme são sobre isso, as responsabilidades que passam a existir após o nascimento dos filhos e a beleza que continua existindo, em todo o amor, mesmo depois que o casal amadurece.
Um belíssimo fechamento para uma das mais interessantes trilogias do cinema, pelo menos, para quem (ainda) se interessa pelo que nos faz mais humanos, nestes tempos de muito cinísmo que vivemos hoje em dia. Tomara que Linklater desencane do batido formato trilogia e resolva continuar acompanhando as conversas sempre um pouco malucas de Jesse e Celine, um público cativo e encantado, agradece.
Review publicado originalmente na Revista Eletricidade
quarta-feira, 14 de agosto de 2013
Antes da Meia-Noite - Trilogia romântica termina com gostinho de quero mais
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Drika Maraviglia
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sábado, 8 de junho de 2013
Dia dos Namorados - As cenas mais românticas do Cinema
O dia dos namorados está chegando e o amor está no ar. Fizemos uma lista com algumas das cenas mais românticas do cinema. Tem um pouco de tudo, de clássicos a filmes mais atuais, mas a ideia é a mesma; a de juntar em um só lugar as cenas mais memoráveis, aquelas que fazem até a mais durona de todas as criaturas suspirar e até mesmo sentir aquelas pequenas lágrimas escorrendo pelo rosto no escuro do cinema.
Neste quesito, cada um tem sua própria lista, mas acho que algumas destas 10 cenas voltam à mente de quase todo mundo, quando o assunto é romance...
E você? Qual cena de cinema te fez suspirar?
1 . Superman - O passeio noturno ao lado do Homem de Aço
2. "Casablanca" - Nós sempre teremos Paris...
3. "Yentl" - A revelação e o beijo...
4. "Orgulho e Preconceito" - O pedido de casamento do Sr Darcy
5. "A Dama e o Vagabundo" e o spaghetti...
6. "Em Algum Lugar do Passado" - Elise no Teatro
7. "Simplesmente Amor" - Mark que amava Juliet, que casou-se com Peter...
8. Julia Roberts declarando-se apenas uma garota em "Um Lugar Chamado Notting Hill".
9. Em "O Morro dos Ventos Uivantes", Cathy fala sobre Heathcliff...
10. A primeira vez que Romeu e Julieta veem um ao outro em "Romeu+Julieta" (96)
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Drika Maraviglia
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13:35
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domingo, 12 de maio de 2013
Cinebiografia de Renato Russo chega às telas
Dirigido por Antonio Carlos Fontoura, o filme escolhe focar-se em um período particular da vida do astro, sem aprofundar-se muito nem nos dramas, nem nas razões do personagem, concentrando-se mais nos anos de sua formação musical e destacando sua participação em todo o cenário punk e rock de Brasília mostrando quase que por tabela bandas como Aborto Elétrico, Plebe Rude, Capital Inicial e Paralamas do Sucesso.
Para funcionar, o Renato Russo de "Somos tão Jovens", um brilhante trabalho de ator de Thiago Mendonça (Os Dois Filhos de Francisco), precisa que o público dos cinemas o identifiquem, assim, tom de voz, gestual e até frases pinçadas das letras de músicas da Legião aparecem aqui e ali, chegando a provocar risos da plateia e tentando fazer passar uma teoria um pouco superficial e rasteira de predestinação.
O lado ruim é que para possibilitar essa identificação de alguns personagens que continuam por aí, no cenário musical brasileiro, confundiram interpretação com imitação de tom de voz e trejeitos e a passagem de alguns deles pela tela, chega a ser embaraçosa e involuntariamente cômica.
Quanto ao Renato Russo, sim, ele chegaria longe... em algum momento perdido, lá entre as décadas de 80 e 90, Renato Russo atingiu o status de lenda e transcendeu as barreiras sempre bem marcadas entre astro do rock nacional e porta-voz da juventude brasileira. Mas em "Somos Tão Jovens" não chegamos a acompanhar este momento.
O Renato Manfredini Jr do filme ainda é um adolescente, vive com os pais e está se descobrindo, depois de perder seis meses de sua vida preso entre a cama e uma cadeira de rodas por uma grave doença nos ossos.
Sem outras possibilidades de diversão, o jovem Renato lê muito e ouve música e estas duas coisas permitem que comece a entender o que quer para seu futuro, fortalecendo-o, para que mais tarde, tome decisões radicais como a de deixar de dar aulas de inglês, para investir em uma carreira na música, prometendo até, para contentar seus pais, fazer a faculdade de Relações Exteriores, no caso de tudo dar errado.
Todos sabem que ele não chega nem perto do Itamaraty; longe disso, Renato Russo tornou-se acima de tudo um poeta talentoso que sabia como ninguém apontar as mazelas deste país e anseios de sua geração com canções que expressavam toda a revolta de uma juventude ainda às voltas com coisas como a repressão e a censura, já nos últimos suspiros de uma ditadura sanguinaria de triste lembrança.
A fotografia de Alexandre Ermel feita em tons quentes e com uma câmera, que acompanha muito de perto a ação, consegue captar o clima das muitas apresentações de Renato nas reminiscências de sua trajetória. Enquanto os inúmeros musicais servem como uma ponte para os muito fãs de hoje buscarem algum ponto de identificação naquele cenário tão distante da realidade de hoje, livre das facilidades da tecnologia e ainda assim tão rico de poesia e possibilidades.
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Drika Maraviglia
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